Sobre a Depressão: Diagnóstico, Sintomas e Tratamento
A depressão é um transtorno do humor e tem como elemento fundamental o humor triste e o desanimo. A depressão caracteriza-se por uma série de sinais sintomas afetivos, biológicos, instintivos, cognitivos, hereditários e existenciais.
Atualmente a depressão já é considerada uma questão de saúde pública devido o impacto que ela tem na sociedade. Embora a depressão seja um transtorno comum, ela também é relativamente grave, sendo considerada umas das doenças mais incapacitantes no mundo.
Estima-se que a depressão afeta 10,4% da população somente no Brasil. Em outros países esse número pode chegar a 18%. E sua incidência só tem aumentado ao redor do mundo.
A depressão é um transtorno mental que pode afetar qualquer pessoa e em qualquer momento da vida. Não existe uma causa específica para o surgimento da depressão porque ela é multifatorial. Basta que um gatilho seja ativado em qualquer área, seja no relacionamento, na vida familiar, no trabalho, na escola, etc. para que se inicie um transtorno depressivo.
A depressão afeta a forma como a pessoa vê a si mesma, a forma como ela pensa, age, como ela lida com as pessoas ao seu redor, o modo como ela come, dorme, acorda, trabalha, estuda, etc. Enfim, a depressão afeta todas as dimensões da vida do indivíduo.
A pessoa que é acometida pela depressão apresenta sentimentos de culpa, de desesperança, pessimismo e uma autocrítica muito elevada. Também pode afetar a libido, causar falta de energia para relações afetivas, sociais, familiares, etc.
Quais são os sintomas da depressão?
A depressão caracteriza-se por uma série de sinais e sintomas afetivos e dentro da esfera biológica, instintiva, afetiva, existencial, etc. Alguns dos sintomas afetivos são:
• Tristeza, melancolia
• Perda de interesse ou prazer pela vida
• Choro fácil ou frequente
• Baixa auto estima
• Humor irritável
• Explosões de raiva recorrentes
• Diminuição da energia ou fadiga
Alguns dos fatores biológicos e instintivos incluem:
• Retardo ou Agitação Psicomotora
• Alteração do apetite
• Perda ou ganho excessivo de peso
• Insônia / Hipersônia
• Constipação Intestinal
• Falta de libido
Existem diversos outros marcadores que podem demonstrar o surgimento de um quadro depressivo, por exemplo, há os marcadores cognitivos tais como a alteração da atenção; da concentração; da memória; da linguagem; etc.
Há marcadores no campo da vontade e da motricidade, por exemplo, tendência a permanecer mais na cama o dia inteiro; aumento na latência de tempo entre perguntas e respostas; lentidão psicomotora; estupor; diminuição da fala; redução da voz e fala lenta; mutismo, etc.
Há marcadores existenciais, por exemplo, o desejo de desaparecer; vontade de dormir pra sempre; ideação suicida; ideação negativa; pessimismo em relação a tudo; dificuldade de tomar decisões; auto-depreciação; sentimento de arrependimento; sensação de tédio; angústia; desespero; etc.
Todos esses fatores devem serem analisados criteriosamente porque para cada pessoa a depressão se manifestam de um modo muito específico.
Para ser diagnosticado com depressão a pessoa deve apresentar os sintomas há pelo menos duas semanas.
Alguns sintomas da depressão podem surgir logo após alguma experiência traumática. Em outros casos, pode surgir sem que haja alguma relação com um evento traumático, por exemplo, ela pode ser desencadeada por um estresse diário. Noutras vezes ela surge de forma silenciosa onde a pessoa não percebe que está entrando num processo depressivo.
Certamente que a depressão apresenta todos esses fatores ambientais, biológicos, genéticos, neuroquímicos, existenciais, etc. Porém, dentro do campo da psicologia, notamos que a depressão tem uma profunda relação com a experiência de perda. A depressão tem grandes possibilidades de se manifestar após alguma experiência significativa de perda, por exemplo, a perda de um ente querido, a perda do emprego, o fim de um relacionamento, a perda da moradia, perda do status sócio econômico, etc.
Quais São os Tipos de Depressão?
É preciso compreender que a depressão não é uma coisa só, ela é um transtorno multifacetado. Embora seja uma tarefa árdua para os profissionais de saúde rastrearem como essa doença se manifesta, essa é uma tarefa permanente.
Existem pelo menos 3 subcategorias dentro da depressão. Existe a depressão leve, a depressão moderada e a depressão grave.
Dentro do Transtorno Depressivo encontramos os subtipos:
• Depressão distímica
• Depressão atípica
• Depressão melancólica ou endógena
• Depressão psicótica
• Estupor depressivo
• Depressão maior
• Depressão secundária ou orgânica
É muito importante que os profissionais da saúde saibam diferenciar todos esses subtipos para que não incorra em erros no tratamento.
Existem fatores de risco para a depressão?
Sim, muitos. A adolescência, por exemplo, costuma ser um período muito crítico. As mudanças corporais e hormonais, a pressão escolar e familiar, as perdas afetivas, questões sociais, etc. Tudo isso pode contribuir para o surgimento ou agravamento do transtorno. O uso de substâncias psicoativas também pode atuar para a instauração não somente da depressão como também diversos outros transtornos mentais.
Os fatores de risco para a depressão incluem:
• Fatores genéticos. A depressão pode ter maior prevalência em alguns grupos familiares. Por exemplos, estudos com gêmeos idênticos apontam que se um deles tem a doença, o outro tem a possibilidade de apresentá-la em algum momento da vida.
• Fatores bioquímicos. Todo nosso corpo, nosso cérebro e mesmo em nossas emoções ocorrerem fenômenos bioquímicos que podem interferir ou facilitar o surgimento do transtorno.
• Aspectos da personalidade. Fatores como extroversão, introversão, impulsividade, etc. podem contribuir para a instauração de um quadro depressivo.
• Fatores ambientais. Nossa sociedade tem um grande potencial para a o desenvolvimento de diversos transtornos mentais. Por exemplo, a violência doméstica, o abuso sexual e a miséria podem tornar uma pessoa mais suscetível a depressão.
• Comorbidades em saúde. Eventualmente quando o paciente tem outras doenças, por exemplo, uma doença degenerativa ou uma doença terminal, isso pode contribuir para o surgimento de um quadro depressivo.
• Comorbidades psiquiátricas. Quando algum paciente tem algum outro transtorno de saúde mental, isso também pode facilitar o surgimento ou agravamento dos quadros depressivos, por exemplo, a bipolaridade, a ansiedade, etc.
Outros Fatores de Risco Incluem:
• Estresse ou ansiedade crônicos
• Disfunções hormonais
• Obesidade ou sedentarismo
• Uso de drogas
• Traumas físicos ou psicológicos
• Traumas psicológicos
Depressão tem cura?
Sim, a depressão tem cura. Cerca de 80 ou 90% dos casos tratados apresentam uma melhora significativa do quadro. O método mais conhecido e eficaz que conhecemos para o tratamento da depressão ainda é a boa e velha psicoterapia.
Há diversas outras terapias. Por exemplo, há pacientes que se beneficiam de terapias médicas como a eletroconvulsoterapia (ECT); há pacientes que se beneficiam de atividades físicas aeróbicas; existe a estimulação magnética cerebral; há a meditação; a acupuntura; nutrição e dieta com micro nutrientes; práticas em grupos de caridade, etc.
E a Medicalização Funciona?
Sim, funciona quando bem alinhados à boa prática profissional. Em alguns casos de depressão alguns pacientes podem precisar de uma intervenção medicamentosa. E quando bem aplicada, a medicação tornar-se num coadjuvante funcional no tratamento da depressão. Desse modo a medicação pode ser empregada como uma estratégia no tratamento.
No entanto é preciso sempre lembrar que antidepressivo sem psicoterapia não alcança o efeito esperado.
O que é o Diagnóstico Diferencial?
Como a depressão é sempre multifatorial devemos conhecer o diagnóstico diferencial, ou seja, devemos diferencia-la de outros fatores. Por exemplo, diferenciá-la de uma tristeza, de um processo de luto, etc.
É sempre recomendável que o paciente faça exames de sangue regulares para que seja descartado a hipótese de um problema de saúde. Por exemplo, um distúrbio da tireoide poderia assemelhar-se a um processo depressivo.
Depressão é tristeza?
Não, depressão não é tristeza. Tristeza é uma reação comum, a tristeza tem um começo, um meio e um fim. A depressão não obedece a esses padrões. A depressão é mais grave do que tristeza. O indivíduo que sofre de depressão precisa de apoio e de assistência contínua até melhora do quadro.
A depressão não ocorre de forma repentina, muitas vezes a pessoa não percebe que está desenvolvendo um estado depressivo. Assim como todas as doenças, a depressão quanto mais cedo se diagnostica, melhor se torna o prognóstico.
Depressão não é falta de Deus, também não é frescura, nem tristeza. A depressão é um transtorno que pode se desenvolver em qualquer pessoa. Qualquer Pessoa.
A Sociedade Influencia?
Sim, a sociedade influencia. A sociedade tem muita habilidade de produzir formas mais complexas de adoecimento mental. A sociedade e o mundo na contemporaneidade levam o indivíduo a trabalhar e a viver praticamente no seu limite ou além deste. Para alguns isso pode ser bom e para outros não.
Enfim, o melhor que se pode fazer nos casos de depressão é procurar atendimento e apoio psicológico. Buscar ajuda especializada também é buscar autoconhecimento, também é buscar a sabedoria.
Para todos nós: É preciso aprender a cultivar a si mesmo, buscar a sabedoria, buscar o novo de si. Refazer-se. Reinventar-se. Criar algo, buscar o novo de si, o novo do mundo e o novo da vida. Talvez seja esse um dos caminhos para a cura.
Referências
Dalgalarrondo, P Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais. Porto Alegre, 2000. Editora Artes Médicas do Sul
KAPLAN, HI. & SADOCK, B. Compêndio de Psiquiatria. 9ª edição. Porto Alegre: Artes Médicas, 2007